Começamos com uma história inventada sobre uma personagem chamada Lisa. É professora e tem quase vinte anos de experiência à frente de uma turma. Acabou de fazer uma apresentação fantástica sobre a história das espécies pré-históricas. “Hoje superaste-te mesmo naquela apresentação!”, declara um aluno do outro lado da sala. Sem saber bem como responder, Lisa balbucia qualquer coisa antes de se recompor: “Obrigada, sabes, o colega Henry ajudou-me imenso com os diapositivos!”.
Nessa noite, pensa para si própria. Podia ter feito um bocadinho melhor aquela transição sobre a origem das espécies, mas, no conjunto, correu bem. Claro que correu, faço isto há anos. Espero um dia conseguir igualar o entusiasmo do meu colega Bob. Se ao menos tivesse feito melhor aquela transição, enfim.
Uma pequena história de um elogio que correu mal para a nossa professora Lisa. Se calhar reparaste num pensamento negativo na história dela. Mas sabias que só neste breve parágrafo há mais de três padrões de pensamento negativo bastante comuns? E é bem possível que os estejas a repetir todos os dias sem sequer dares por isso. Vamos então ver alguns padrões de pensamento negativo comuns que devias apagar da tua vida.
Tudo ou nada
Uma armadilha comum é arrumar o mundo numa categoria de sim/não. As coisas ou são boas ou são más, ou são pretas ou são brancas. Nesta história, Lisa está claramente a concentrar-se apenas no pequeno erro da apresentação. Coloca um filtro mental sobre o acontecimento e só consegue remoer aquele pensamento negativo. Mesmo que ninguém tenha reparado e que a assistência a tenha até elogiado pela apresentação, tudo o que Lisa vê é aquela transição que queria ter feito melhor. Assim, concentra-se só no lado negativo e, em vez de ver o dia como quase perfeito, vê-o como um fracasso total.
Desqualificar o positivo
Assim que é elogiada, Lisa tenta claramente distanciar-se da experiência positiva ao mencionar outra pessoa. É quase como se estivesse a desqualificar o próprio esforço. Mesmo que não seja essa a intenção, pode ir-se instalando de forma inconsciente a ideia de que as coisas boas só acontecem graças aos outros.
Eu devia
No rescaldo, vemos Lisa a remoer o seu desempenho, a dizer que “devia ser” assim, e logo a seguir a desejar igualar um dia o entusiasmo do Bob. Esta linha de pensamento contém um fenómeno chamado “raciocínio emocional”. Ela parte do princípio de que aquilo que sente é exatamente como as coisas são. O Bob é mais entusiasta e a Lisa até devia ser boa, mas só porque tem muita experiência. Sem se aperceber, acredita que estas coisas são verdade. Na realidade, pode bem acontecer que as pessoas não vejam o Bob como mais entusiasta e que a Lisa seja uma apresentadora naturalmente boa, a um nível que a maioria não consegue igualar nem com mais anos de experiência.
Os padrões de pensamento negativo são difíceis de apanhar dentro da nossa mente subjetiva. Conhecer os padrões mais comuns e o aspeto que têm pode ajudar-te a equilibrar pensamentos injustos e negativos.
Para reduzir os pensamentos negativos, tenta refletir todos os dias sobre o que sentes. Em vez de ficares a remoê-los, tenta escrevê-los e voltar a olhar para eles mais tarde nesse dia. Também ajuda distanciares-te dos teus próprios pensamentos e descreveres os acontecimentos como se fosses uma pessoa neutra, vista de fora.

