Imagina que estás sentado à beira da estrada a ver os carros passar. Em cada um deles vai uma pessoa com os seus próprios objetivos e sentimentos. Enquanto ali estás, talvez repares que o teu cérebro quer virar a atenção para aquilo que tu sentes. Como te sentes?, pergunta ele.
É que o nosso cérebro tem tendência para procurar atenção, como uma criança que não tira os olhos de uma taça de rebuçados. De certa forma, andamos sempre a tentar mudar coisas. Seja a nossa situação no trabalho, seja arranjar a casa para ficar mesmo a nosso gosto, seja convencer os amigos a irem connosco numa viagem de carro. Quase todas estas mudanças acontecem porque queremos sentir-nos de determinada maneira. Mesmo que ainda não o consigamos pôr em palavras. Andamos à procura dessa emoção, seja ela paz, felicidade ou entusiasmo.
O nosso cérebro engana-nos, faz-nos acreditar que só se fizermos isto ou aquilo é que nos vamos sentir assim. Comprar uma coisa nova pode trazer-te entusiasmo durante um bocado, mas será que dura? E se fazer essas coisas nunca chegar para te sentires assim?
Como estamos tão programados para mudar coisas, às vezes esquecemo-nos de simplesmente ficar ali sentados a descansar. Como quem vê os carros passar. Na verdade, é muito importante para a nossa saúde mental que nos deixemos descansar. Estar quieto permite ao cérebro relaxar e recarregar para o que vem a seguir.
Por isso, em vez de andares a puxar por uma determinada emoção, tenta virar o jogo ao contrário. Deixa que aconteça. Não deixes a tua mente convencer-te a fazer coisas só porque achas que te vão fazer sentir de certa maneira. Deixa antes que sigam o seu caminho natural. As relações crescem de forma mais natural, o trabalho passa a ser mais um espaço criativo, e a vida no seu todo torna-se como um presente que abres todos os dias sem saber bem o que vais encontrar lá dentro.
E quem sabe, depois de a poeira assentar, talvez repares que aquilo que andavas a procurar afinal já chegou até ti. Sem ser forçado.

